Fabio Brazza Rimando na Cadeia

Por Fernando Grostein Andrade

A arte pode ajudar na reabilitação de detentos?

Como cineasta já fiz uma série de incursões no sistema penitenciário e todas me deixaram com essa mesma pergunta.

Meu contato com o universo carcerário começou com o filme Quebrando o Tabu, quando filmei em presídios em São Paulo, Rio de Janeiro, Bogotá e Lisboa. Na sequência, ajudei a reativar um grupo de teatro chamado “Do Lado de Cá” na penitenciária de segurança máxima de Guarulhos, Adriano Marrey. Este grupo foi criado por agentes penitenciários e um juíz. Os detentos que participaram do grupo atuaram no meu primeiro longa de ficção, o “Na Quebrada”. Foi uma experiência muito legal a chance de acender uma vela de esperança.
Um tempo depois filmei o documentário “Diários da Tranca” – sobre a vida de agentes penitenciários em várias unidades prisionais de São Paulo. Também inspirado no livro do Dr. Drauzio Varella “Carcereiros”, fui um dos idealizadores e diretor de alguns episódios da série “Carcereiros’. Todas essas experiências – emocionalmente muito intensas – sempre me deixam perguntando como é a porta de saída daqueles que já pagaram pelos seus crimes e voltarão às ruas.
Além da batalha para conseguir emprego, existe uma questão: cuidar da humanidade de cada pessoa que vai se reinserir na sociedade.

É neste momento em que a arte têm um papel importante. Para ajudar a investigar este assunto na forma de filme e rimas, convidei o rapper Fábio Brazza para assistir a apresentação da peça da nova turma do grupo de teatro. Foi a primeira vez dele dentro de uma cadeia. A peça tratava de um assunto que é um grande tabu no sistema prisional, a questão da LGBTfobia.